A mais comum é a descrita por um cirurgião colombiano chamado Capella e modificada por Fobi, o bypass gastrojejunal em Y de Roux ou bypass gástrico em Y de Roux.

Esta cirurgia combina a criação de uma pequena bolsa gástrica para limitar a ingestão alimentar associada a um desvio do duodeno e parte inicial do intestino delgado para causar malabsorção dos alimentos. O resultado é uma saciedade precoce, que reduz de forma acentuada a quantidade de alimento sólido ingerido nas refeições e a vontade de comer, associada a diminuição da digestão e absorção destes alimentos devido a um retardo na mistura do alimento com os sucos digestivos. Por esta razão essa cirurgia produz uma maior perda de peso que as cirurgias puramente restritivas.

Nesta cirurgia um grampeador cirúrgico é utilizado para dividir o estômago em dois, criando uma pequena bolsa gástrica (com capacidade de aproximadamente 30ml), que recebe o alimento que chega pelo esôfago. O restante do estômago não é retirado, mas completamente separado da pequena bolsa gástrica, por isso a cirurgia pode ser revertida. A saída da pequena bolsa gástrica é costurada ao intestino delgado (jejuno) para que o alimento continue seu trânsito normal. O restante do estômago, que não entrará em contato com o alimento, continuará a produzir suco gástrico e se continuará com o duodeno -que recebe o suco biliar e pancreático - e jejuno. Nesta cirurgia os sucos digestivos só se encontram com o alimento ingerido no meio do intestino delgado, reduzindo a digestão e absorção dos alimentos. Esta cirurgia pode ser realizada por via laparoscópica (cirurgia dos furinhos) ou convencional (cirurgia barriga aberta).

Nesta cirurgia podemos obter as vantagens das cirurgias bariátricas restritivas e  malabsortivas, com baixo risco operatório, pois não remove parte do estômago, e menores índices de complicações nutricionais, uma vez que o segmento intestinal excluído é menor, permitindo que o alimento e sucos digestivos se encontrem no meio e não no final do intestino delgado.

bypass gástrico é considerado por muitos o procedimento “padrão ouro” dentre as cirurgias para perda de peso. É a cirurgia bariátrica mais realizada no Brasil. A média de perda de peso com este tipo de procedimento é geralmente superior aos procedimentos puramente restritivos. Estudos mostram que após 10 a 14 anos da cirurgia, os pacientes conseguem manter uma perda de cerca de 60% de seu excesso de peso.

Esta cirurgia tem risco semelhante à de uma operação de úlcera e como vantagem uma perda média de peso de cerca de 30 a 40% do peso inicial em 2 anos, embora ausência de perda de peso possa ocorrer. Ela tem como desvantagens o fato de poder causar deficiências nutricionais como anemia, osteoporose, hipovitaminoses, deficiência de zinco, desnutrição proteica e queda de cabelo, embora em menor frequência e intensidade que as cirurgias malabsortivas. Em alguns casos de desnutrição importante podem necessitar de re-operação para reverter a cirurgia. Todas essas deficiências mencionadas acima podem ser contornadas com uma dieta apropriada e suplemento de ferro, cálcio e vitaminas pelo resto da vida.

As complicações que podem ocorrer com o bypass gástrico são: embolia pulmonar; fistula ao nível da linha de grampo ou das anastomoses; comunicação entre as partes separadas do estômago fazendo com que o paciente volte a ganhar peso; estenose das anastomoses; problemas na parede abdominal (seroma, hematoma, abscesso, hérnia incisional, deiscência de pele), mais frequentes nas cirurgias por via convencional; hemorragia; dilatação esofágica, vômitos persistentes, pedra na vesícula, obstrução intestinal e impactação de alimentos ao nível da anastomose gastro-jejunal. As complicações que necessitam de cirurgia ocorrem em cerca de 1.5% dos pacientes.

Esta cirurgia está indicada em pacientes obesos ou super obesos com IMC ≥ 40 kg/m2 ou IMC ≥ 35kg/m2 associado a doenças causadas ou agravadas pela obesidade.

Após a cirurgia o paciente deverá aprender a mastigar bem o alimento e ingeri-lo lentamente. Caso coma rápido e em grandes pedaços pode apresentar mal-estar e dor retroesternal com vômitos. Além disso, se o paciente abusar de alimentos calóricos (pudins, sundaesmilk-shakes, leite condensado, sorvete, etc.), poderá sentir mal-estar geral com tontura, sudorese fria, palpitações, queda de pressão arterial, desmaio e diarreia, sintomas esses que os médicos conhecem como “Síndrome de Dumping”. Este inconveniente não é considerado um risco para a saúde e não ocorrerá se forem evitados alimentos calóricos.

As avaliações médicas pós-operatórias visam diagnosticar e corrigir as carências de zinco, cálcio, ferro e das vitaminas do complexo B, que podem surgir ao longo do tempo. A carência de zinco causa fadiga, queda de cabelo e diminuição na imunidade, vitalidade da pele, capacidade de cicatrização, no olfato e paladar. A carência de cálcio causa osteoporose e risco de fraturas. A carência de ferro leva a anemia. Já a carência das vitaminas do complexo B causa anemia, dor de cabeça, cansaço, formigamento, câimbras e depressão entre outros. Deve-se levar em conta a necessidade de acompanhamento até o final da vida pelo risco destas complicações carenciais.