Consiste na medição das propriedades elétricas dos materiais biológicos, as quais mudam ao longo do tempo. Foi utilizada inicialmente para avaliar o estado de hidratação de soldados americanos em alta altitude e baixa temperatura. A utilização mais popular da BioImpedância é avaliar a composição corporal humana através da medição da resistência e reactância do corpo humano durante a passagem de corrente elétrica alternada, de baixa intensidade (500 a 800 µÄ) e de alta freqüência (50 khz). A resistência e a reactância são medidas de forma independente e avaliam o componente celular e iônico do corpo. O volume celular é medido como reactância e a resistência iônica pela resistência, ambos são expressos em ohms. Os tecidos magros são altamente condutores de corrente elétrica, por conterem grande quantidade de água e eletrólitos (apresentando baixa resistência). Os tecidos gordurosos e os ossos são pobres condutores e oferecem maior resistência elétrica por conterem pequena quantidade de água e eletrólitos.

No organismo humano, a condutividade elétrica é do tipo iônica e depende essencialmente do conteúdo hidroeletrolítico dos diferentes componentes. Como a massa magra contém a parte principal da água e dos eletrolíticos em solução do nosso organismo, a corrente cruza quase que exclusivamente pela massa magra. O tecido adiposo e o tecido ósseo estão nitidamente menos hidratados e tem como resultado um poder isolante muito importante.

Este exame é utilizado normalmente em academias, serviços de terapia nutricional e tratamento da obesidade para demonstrar visualmente aos pacientes a sua composição corporal, e fazê-los entender que nem sempre a perda ou ganho de peso significa perda ou ganho de gordura.

Aplicação Clínica

A medição da composição corporal constitui um importante método de avaliação do estado nutricional e do estado clínico de pacientes obesos, pacientes em estados de catabolismo importante (câncer, AIDS,...), nos casos de desnutrição (pessoas adultas, anorexia), na elaboração de um programa de treinamento para atletas, etc. permitindo um diagnóstico mais preciso e um planejamento terapêutico mais eficaz.

Hoje em dia é relativamente fácil dosar substâncias que estão em quantidades ínfimas em nosso organismo (hormônios, oligoelementos, vitaminas,...), porém ainda é difícil dosar os componentes fundamentais do nosso corpo, ou seja, a quantidade de massa magra, de massa gorda e de água.

A maioria das técnicas desenvolvidas para avaliar a composição corporal divide o organismo em dois componentes principais: a massa magra (Free Fat Mass: FFM, ou Lean Body Mass: LBM) e a massa gorda (FAT). Algumas técnicas calculam a quantidade de massa magra, enquanto outras calculam a proporção entre a massa magra e a massa gorda. A maioria das técnicas que calculam a massa magra baseia-se na medida da água corporal total (Total Body Water: TBW), pois existe efetivamente uma correlação estreita entre TBW e FFM: em média, a massa magra contém 73.2 % da água.

Técnicas antropométricas baseadas na medição do peso, da altura e de diversas circunferências são simples, não invasivas e bem toleradas pelos pacientes. Numerosas fórmulas e tabelas foram publicadas utilizando essas técnicas. Mesmo assim a exatidão destas técnicas é geralmente limitada a pessoas nas quais a sua distribuição adiposa não se distancia muito da média. P. Ex. Não se pode usar na Suécia uma tabela baseada em dados recolhidos na Itália. Por essa razão, estes métodos geralmente proporcionam resultados pouco confiáveis.

Por outro lado, a BioImpedância se baseia na capacidade de condução elétrica dos tecidos do corpo humano. Oferece numerosas vantagens em relação às técnicas descritas anteriormente, ou seja: aparelho de baixo custo, transportável, leitura fácil, boa reprodutibilidade, bem tolerado pelos pacientes e exame de baixo custo. O resultado é direto sem necessidade de tabela de conversão.

Importância da Medição da BioImpedância

Quando subimos na balança estamos pesando músculos, ossos, pele, órgãos, água, fluídos e gordura. Por isso, nem sempre quando os ponteiros ou números da balança indicam que emagrecemos significa que perdemos gordura corporal.

A maioria das dietas sem orientação profissional visam uma “perda intensa e rápida de peso”, que inicialmente resulta em bons resultados. Porém, na avaliação clínica posterior observa-se que esses pacientes estão piores que quando iniciaram a dieta, pois devido a intensa redução na ingesta calórica eles sentem-se mais fracos, ficam menos ativos e acabam se tornado rapidamente desidratados. Quando a dieta termina, se constata que eles tiveram na verdade uma perda de água e massa magra (massa muscular), o que leva a uma redução nas suas taxas metabólicas. Tão logo eles se rehidratam o peso retorna ao normal e como eles estão metabolicamente menos ativos - pela perda da massa muscular-, desestimulados e retomam os hábitos alimentares errados, eles acabam ganhando mais peso que antes das dietas.

A BioImpedância permite avaliar:

  1. A gordura corporal, que quando elevada contribui para muitas doenças como diabetes, doenças cardíacas, etc. Uma percentagem normal de gordura está associada a boa saúde e aptidão física;
  2. A massa magra (órgãos, músculos, etc.) é o único tecido do corpo que promove gasto de calorias. Quanto maior a massa magra mais calorias o corpo consome. Um peso ideal de massa magra é associado a uma boa saúde e aptidão física;
  3. Água (distribuída 71 a 75% na massa magra e 14 a 22% na gordura). A sua percentagem pode aumentar se o paciente perder gordura ou ganhar massa magra.

Com a BioImpedância poderemos acompanhar a evolução da composição corporal antes do início e durante o tratamento, pois os pacientes que realizam atividade física e seguem o plano alimentar prescritos mantem a hidratação corporal, ganham massa muscular e perdem massa gorda. Se o peso aumenta eles podem acompanhar qual componente aumentou e fazer os ajustes adequados. Se o peso baixa, poderemos ficar seguros que a perda foi as custas de massa gorda, mais que massa magra e água, e assim prevenir o reganho de peso. Pela BioImpedância o paciente pode verificar numericamente e periodicamente, que ele não está somente perdendo peso, mas sim mudando sua composição corporal e melhorando sua saúde.

A meta de um programa de exercícios e de uma dieta equilibrada deve ser a redução e manutenção da gordura corporal em níveis saudáveis e a manutenção ou aumento da massa muscular (tecido magro e metabolicamente ativo).

O preparo para o Exame

Ingerir, no mínimo, 2 litros de água no dia anterior ao exame;

Evitar o uso de medicamentos diuréticos (fazem urinar mais) no dia anterior ao exame;

Não ingerir bebida alcoólica ou café nas 24 horas anteriores;

Não estar no período menstrual ou pré-menstrual no dia do exame;

Não realizar exercício físico ou sauna nas 08 horas anteriores;

Jejum de 04 horas (mínimo 2 horas;

Estar com a bexiga vazia;

Retirar brincos, relógio, cordão, pulseira, e anéis na hora do exame.

O Exame

A maneira mais adequada de realizar o exame é com o paciente deitado de costas, com os membros afastados uns dos outros. É necessário remover apenas as joias que estejam nos locais onde serão colocados os eletrodos. Dois eletrodos tipo “adesivos” são posicionados no punho e dois no tornozelo, do mesmo lado do corpo. Uma corrente elétrica de baixa intensidade e alta frequência é aplicada e a queda da voltagem é medida por um aparelho chamado pletismógrafo. Não é indicado para gestantes e portadores de marcapasso.

As medidas são lançadas em um sistema de informática específico com uma grande quantidade de equações selecionadas automaticamente ou manualmente pelo operador, pois não se pode usar uma mesma equação para determinar a massa gordurosa de um desportista de alto nível e a de um obeso.

Obs: Existe no mercado um aparelho no qual seus eletrodos colocam-se na plataforma da balança. Por isto, somente as plantas dos pés ficam em contato com estes eletrodos. Como consequência, a corrente elétrica passa unicamente pelas pernas e pela pélvis (uma corrente elétrica toma sempre o caminho mais curto). Isto resulta numa avaliação muito ruim da composição corporal por ignorar o tronco e os membros superiores, e um exagero da proporção da água se a pessoa tem celulite (ou edemas) ao nível dos membros inferiores, ou se simplesmente a sua bexiga não está vazia.

No caso específico da Obesidade

Com certa frequência pessoas com peso corporal dentro dos padrões de normalidade do Índice de Massa Corporal (I.M.C.), apresentam percentual de massa gorda elevado, ou seja, são obesas apesar de estarem dentro dos padrões recomendados. O oposto também é verdadeiro, ou seja, pessoas com peso corporal total acima dos padrões do I.M.C, com elevada massa muscular e baixo nível de massa gorda, ou seja, indivíduos magros apesar de estarem pesados.

Perder peso é reduzir a massa corporal global verificada por meio da balança. Emagrecer significa perder gordura corporal, o que nem sempre está acompanhado ou relacionado com a perda de peso total, logo o emagrecimento é mais bem avaliado por meio de testes com equipamentos e técnicas especiais do tipo: adipômetro, futrex, BioImpedância, pesagem hidrostática, dentre outros.

Assim, podemos emagrecer sem perder peso ou mesmo aumentando de peso, principalmente por meio da musculação, a qual beneficia ganhos de massa muscular, sangue e líquidos corporais, que são constituintes da massa corporal magra ou livre de gordura. Na musculação, observa-se perda de massa gorda com pouco ou nenhuma perda de peso corporal total.

Por este motivo há uma necessidade de avaliação adequada para estabelecer o melhor programa de emagrecimento, para que não sejam cometidos excessos nutricionais nem de treinamentos físicos.

Importância da Orientação Nutricional e Atividade Física na Composição Corporal

Em tratamentos sem orientação profissional muitas vezes a perda de peso ocorre devido a perda de massa magra (musculatura) para gerar as calorias, que foram reduzidas em dietas radicais ou extremas, e que são necessárias ao organismo. Daí concluímos que dietas radicais ou de extrema restrição calórica produzem grande perda de peso em forma de tecido magro, e ao final do processo por vezes o percentual de gordura terá aumentado, pois o indivíduo perdeu mais músculos que gordura e a proporção destes acaba se alterando de forma negativa. Além disso, devido à perda de massa magra haverá um processo de flacidez visível e extremamente inadequado ao objetivo estético daquele indivíduo.